DE UM SAMBA DE ARI BARROSO

SURGIU O NOME DE CACO VELHO 

Cantor brasileiro que levou musica regional a Paris – Antes de ser musico era fundidor da Editora Globo – Deixou a profissão para ser pandeirista – Começou a cantar quando foi convocado para substituir o “crooner” do antigo  “O.K.”- Costa Lima o levou para a Tupi – Ao voltar de Paris voltou a Tupi onde tem feito sucesso fabuloso – Já gravou mais de trinta discos e um LP pela Copacabana

 Em 12 de março de 1920, nasceu na cidade de Porto Alegre o menino Matheus Nunes Teve uma infância comum, igual a de todos os outros meninos, filhos de uma família pobre. Cresceu e seu primeiro emprego foi como fundidor na então Livraria Globo. Nas horas vagas o mocinho gostava de cantar. Cantava para os amigos nas casas conhecidas, nas serenatas de rua. Um dia especialmente convidado, e já dando mostras de sua classe, ingressou como pandeirista do regional de Piratini na Radio Difusora de Porto Alegre. Como fazem todos os conjuntos musicais, esse também resolveu fazer algumas excursões pelo país e exterior. O pandeirista também foi. Ficou conhecendo vários paises da América do Sul. Gostava do conjunto onde ele era o elemento de maior destaque. Quase se aposentou nesse conjunto. Conseguia um sucesso fabuloso em todas as apresentações e por dez anos ininterruptamente agüentou-se nesse emprego.

FASCINADO POR SÃO PAULO

Um dia ouviu contar maravilhas de S. Paulo. Ele também ambicionava fama e dinheiro. Resolveu, finalmente tentar a vida na capital paulista. Não hesitou muito e veio. Começou tocando contrabaixo no antigo “O.K.”. Certa feita o “cooner” do estabelecimento não compareceu. Ele foi chamado às pressas para substitui-lo. Nessa altura o moço Matheus já era conhecido como “Caco Velho”. Nessa noite ele foi um autentico sucesso. Foi descoberto depois por Costa Lima e Araci de Almeida que o convidaram para um programa sem compromisso na Radio Tupi, intitulado “Batida Paulista”. Na estréia, por incrível que pareça. Caco Velho desmaiou: não agüentou os aplausos delirantes do público.

Ante o sucesso foi contratado pela Record onde esteve dois anos Voltando às “Associadas” onde começou sua projeção, foi sistemática. Aparece constantemente no radio e TV, sendo figura obrigatória em todos os programas que necessitam de vida, entusiasmo e musica bem brasileira. Esteve em Paris onde conquistou o público e dominou a vida noturna da cidade. Já gravou mais de trinta discos e agora tem um LP da Copacabana na praça.

Muita gente indaga a origem do apelido de Matheus Nunes. Provem do fato de sempre ter cantado o samba de Ari Barroso “Caco Velho”. Daí... seus fãs se encarregarem de batiza-lo artisticamente. E o nosso Caco Velho ai está fazendo o sucesso de sempre. (N.C.S.). 

Diário de São Paulo – 20 de novembro de 1958