CACO VELHO Chega a vez de incluirmos,
hoje, no rol dos artistas caricaturados pelo lápis personalíssimo de MIX, o
endiabrado sambista Caco Velho, há tantos anos em cartaz de primeira linha de
nosso rádio, televisão e disco. Caco Velho chegou a São Paulo há uns 18 anos,
mais ou menos, de Porto Alegre, onde já era conhecido como pandeirista, tentando
em Arranjar bons contratos, tendo em vista a maior movimentação artística que o
Planalto sempre teve. Aqui chegando, Caco Velho não demorou muito a ser
contratado pela Rádio Tupi, no tempo ainda em que esse prefixo tinha estúdios à
rua Sete de Abril, ganhando logo uma chance de atuar, também ao microfone como
cantor. Quando isso aconteceu, o sucesso consagrou sensacionalmente o
pandeirista gaúcho, nasceu daí, a sua oportunidade de conquistar um lugar ao sol
em nossa constelação artística como um sambista fabuloso, digno de formar entre
os maiores nomes no gênero que já surgiram no cartaz de nossa musica. Quando a
Tupi mudou suas instalações para o Sumaré, o pandeirista-cantor acompanhou o
prefixo que o revelou, mostrando já a essa altura ser dono de uma grande
popularidade. Graças a esse sucesso, disputado por várias marcas, estreou no
disco, através da Continental, confirmando todo o êxito que assinalava cantando
suas criações ao microfone da PRG-2. E a medida que os anos iam correndo, Caco
Velho ia consolidando, cada vez mais, sua posição de autentico cartaz do
repertório de nossa música, exibindo um estilo próprio na interpretação de seus
números valorizados pela grande musicalidade, bossa e alta noção de ritmo que o
artista sempre mostrou ser possuidor na rubrica em que se consagrou perante a
crítica e o publico. Da Tupi, Caco Velho saiu para atuar um ano e meio pela
Record, voltando, contudo, após esse período, a defender novamente a programação
dos prefixos do Sumaré sempre com aquele sucesso que sempre caracterizou suas
apresentações em qualquer um de nossos setores artísticos. A esta altura, Caco
Velho, licenciou-se por uns tempos de seus compromissos nas “Associadas”, a fim
de atuar em Paris, numa de suas principais “boites”, sendo esplendidamente bem
sucedido a ponto de prolongar o seu contrato para mais de um ano. A saudade,
porem, esse bicho que dá no coração de todo o brasileiro, forçou o retorno do
artista que deixou, assim, toda a popularidade que conquistara na capital
francesa para voltar à sua base. De volta, Caco Velho montou uma “boite” que
todos conhecem com o nome de “Derval”, reeditando toda aquela carreira de
sambista infernal ao microfone da Tupi e diante das câmaras do Canal 3, ao mesmo
tempo que lançava pela Copacabana, as suas últimas gravações, todas dignas de
atenção do discofilo fã de nossos ritmos populares.
Gazeta Esportiva –
11/11/58