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Diário de São Paulo 18/05/2005 |
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De malandro para malandro |
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O sambista Germano Mathias, que completa 50 anos de carreira em outubro, lança "Tributo a Caco Velho", em homenagem ao músico gaúcho que inspirou seu jeito gaiato de ser |
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Donizeti Costa |
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Quando arredondou os 70 anos, em 2004, Germano Mathias andava às voltas com um projeto que tinha tudo para ser o mais importante de sua vida: a gravação de um disco reunindo os sucessos do sambista gaúcho Matheus Nunes, inspiração maior para que ele enveredasse pela carreira artística. E "Tributo a Caco Velho" - apelido pelo qual o músico gaúcho ficou famoso até internacionalmente - serve agora tanto corno um presente tardio para o aniversário quanto para marcar, a tempo, os 50 anos de carreira a serem celebrado neste ano. "Meu CD está quentinho como pão feito na hora. Espero que venda tanto quanto pão quente também", torce Germano Mathias, no mesmo tom brincalhão de suas canções Enquanto mostra as 14 faixas do álbum, Germano batuca na palma da mão, reproduz com a boca ora uma cuíca ora um trombone e ri um riso gaiato pela perfeição da cria. E não é para menos: o disco - embalado por sambas sincopados e sério candidato aos prêmios de melhor disco de samba do ano - tem som e pegada de clássico. E surpreende pela forma como traz de volta à tona sambas dos anos 40 e 70, que soam modernos como se tivessem saído há pouco da verve do compositor. É o caso de "Meu Fraco É Mulher" (Conde-Heitor de Barros), clássico do repertório de Caco Velho, gravado em 1946 e que as rádios ditas de MPB nem cogitam tirar da gaveta. "Eu esqueço tudo/ até mesmo obrigação/ uma mulher bonitinha faz para meu coração/ Fala, língua de trapo, diga lá o que quiser/ mas, franqueza no meu caso, porque o meu fraco é mulher...", entoa Germano, em meio a estripulias vocais que remetem ao estilo bem-humorado do intérprete original. |
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O mesmo bom humor é encontrado em "Uma Crioula" (de Caco e José Sacomani). Gravado em 1963, no auge da bossa nova, o samba é uma brincadeira feita em cima de "Uma Loura” canção de Hervé Cordovil gravada anteriormente por Dick Farney. Arranjos bem cuidados Em cada faixa, salta aos ouvidos o cuidado com o arranjo. Se em "Barriga Vazia", por exemplo, o instrumento que se destaca é a viola caipira, em "Por Um Beijo Teu" quem vira ladrão de cena é o bandolim. Quando Caco Velho era vivo, Germano gravou três sambas do ídolo: "Princesa Isabel", "Toda do Meu Lar" e "Cachorro da Vizinha". Chegou até a assinar outro a quatro mãos quando viraram colegas de ofício e de palco - "O Toro Já Chegou", que ficou fora do tributo. "Por pura modéstia", diz o crítico musical e jornalista Caio Silveira Ramos, que vem preparando também uma biografia de Germano Mathias. Germano Mathias, além de influenciar nos arranjos, também atualizou certas letras. Em "Samba do Meu Tio", Chacrinha e outras celebridades da época, citados como parecidos com o sujeito do título, dão a vez a Silvio Santos, Ratinho e Jô Soares. Só quem privou da intimidade de Caco Velho poderia fazer isto com tamanha propriedade. "Quando ele morreu foi como se eu perdesse um parente. Ele era meu padrinho musical", emociona-se ele, com ar de missão cumprida. |
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