CACO VELHO (MATHEUS
NUNES)
POR: JOÃO AUGUSTO M. DE ANDRADE
Nasceu na cidade de
Porto Alegre, no estado de Rio Grande do Sul, no Bairro de São João, no dia doze
de março de mil novecentos e dezenove.
Filho de Geraldina
Rodrigues Nunes e Liberato Nunes. A mãe cuidava do lar e sabia tocar violão, o
pai foi veterinário no exercito, por muitos anos, sabia tocar violino.
“Caco Velho”,
infância, como as demais crianças, fazia pipas, jogava bola, brincava com bola
de gude, pião e etc.
Perdeu o pai muito
cedo e devido ao novo casamento da mãe, optou em morar com a avó, na mesma
cidade.
Observando as
necessidades que passava a avó, toma uma decisão, com o intuito de ajudá-la;
passando a vender balas nos cinemas em períodos de matinê e engraxava sapatos
pela manhã, na região do comércio. O ganho não era grande, e o guri, passa a
vender cigarros, fósforos e balas, em um tabuleiro, montado por ele no quintal
de casa. Para aumentar seus ganhos e responsabilidade, passa a ir com a nova
bandeija em períodos noturnos, comerciar os produtos no “BAR FLORIDA”.
Quando permanecia
neste bar noturno, servindo clientes, entoava um samba de “ARY BARROSO”, de nome
“CACO VELHO”, com batidas em caixinhas de fósforo e nas abas de seu tabuleiro.
Estava com apenas nove anos de idade.
O Sr. “Paulo
Coelho”, que tinha um conjunto musical e tocava naquele ambiente familiar,
observava as gingas daquele menino e a maturidade; o guri não chegou a terminar
o curso primário, preferindo somente trabalhar.
Em uma dessas noites
no “FLORIDA”, foi solicitado por “PAULO COELHO”, à bater na caixa de fósforo e
cantar aquele samba, agora no microfone daquela boate. Com muita vergonha,
cantou aquele samba até o final da letra.
Foi aquela
gargalhada e zombaria dos presentes naquela boate, chamando-o por “CACO VELHO”,
(ele não gostou), mas “PAULO COELHO”, teve um brilho nos olhos, ajustando-o
agora artista, para trabalhar nesta casa de shows.
Toca pandeiro no
conjunto de “Paulo Coelho” e às vezes é convocado para cantar, pelo dono deste
conjunto que o batizara de “CACO VELHO”, para o mundo do samba, onde agora quem
não o chamasse assim, “pulava e dava rasteira”.
Passado alguns anos,
“CACO VELHO”, consegue em emprego na Revista Globo em Porto Alegre, como
maquinista, à noite vai ao “Florida”.”Paulo Coelho”, leva o sambista para o
Rádio, vindo a ser contratado no conjunto de Piratini na rádio gaúcha. Pandeiro
e Tamborim, vem a ser seus instrumentos no “Conjunto Regional de Piratini”
(Antonio Amábile), que também fazia a grandiosa “Festa do Bombo”.
À vista de um quadro
na parede de sua casa “Caco Velho” escreve “Mãe Preta”, que junto com
“Piratini”, dão melhor formato nas letras. Aprende a tocar contra-baixo e com o
mesmo “Regional”, fazem apresentações em todas as cidades do “Rio Grande do
Sul”.
Fazia amiúde,
contatos com a mãe, visitando-a, passando o dia com ela; já em idade militar,
alista-se, no Ministério da Guerra e após os tramites normais é dispensado desta
convocação obrigatória.
Com o “Conjunto
Regional de Piratini”, “Caco Velho” segue para o sul do país, para pequenas
apresentações que acaba virando uma grande temporada pela aceitação e convite de
nossos vizinhos; apresentaram muitos shows, (“Caco”, também cantava), nas
rádios, boates e cassinos no Uruguai, Argentina, Paraguai e alguns outros países
sul americano.
Observando a
passagem de umas carretas de bois, com os berros dos puxadores, “Caco Velho”,
tem um “estalo”, escreve “CARRETEIRO”, em parceria com “Piratini” “Antonio
Amábile”.
Eram a atração das
rádios “Difusora”, “Farroupilha”, “Gaúcha” e demais emissoras daquele estado
gaúcho.
Uma particularidade:
“Caco Velho”, cresceu, tendo vontade de possuir uma roupinha de marinheiro, mas
sua mãe nunca pode comprar.
Ao retornarem da
internacional visita aos países sul americanos, “Caco Velho”, decide ir sozinho
para “São Paulo”, era fins de 1938, hospedando-se numa pensão do centro da
capital. Arranja trabalho em algumas casas noturnas; entre elas a Boate “Ok
Danças”, por pouco tempo, retornando para “Porto Alegre”.
No início dos
concursos para músicas carnavalescas de Porto Alegre, fica conhecendo
“Lupiscinio Rodrigues” pessoalmente, pois eram candidatos à fazerem
participações, com seus sambas e ou marchas..
Em 1939, para o
carnaval de 1940, “Caco Velho”, em parceria com “Mutti”, (Péricles Simões Pires)
compõem várias marchas e sambas, para concorrerem neste disputadíssimo concurso,
pois haviam muitos compositores de renome. Para este concurso ainda em parceria
com “Johson”, “Caco Velho”, compôs a marcha “Palhaço”.
Ainda neste ano
“Caco Velho” e “Nino Martins”, formaram a dupla de cantores regional, com o nome
“Dupla Tupinambá”. Cantavam (Atuavam juntos), na PRF-9 Rádio Difusora e na Rádio
Farroupilha, em Porto Alegre; nos finais de semana em associações, clubes,
também em boates.
Com a marcha
“Palhaço”, vence em primeiro lugar, “Lupiscinio Rodrigues”, fica em primeiro
lugar com um samba. “Silvio Caldas” e “Carlos Galhardo”, também eram
concorrentes do concurso neste ano.
A dupla “Tupinambá”,
atuaram por oito meses juntos.
Juntando na mala,
cuia e bombachas, “Caco Velho”, de ônibus, segue para “São Paulo”, hospedando
novamente, em uma pensão familiar, sozinho começa a cantar com o pianista
“Francisco Dorcy”, em uma boate da cidade de São Paulo, vindo a aprender e
tocar este instrumento, após muito treinamento em dias e horas vagas.
“Dernival Costa
Lima”, exímio freqüentador de boates das noites paulistanas, que era um dos
diretores das associadas, (rádios), Tupi/Difusora, convidou “Caco Velho”, para
participar no Radio de São Paulo, que passou a ser artista das associadas e à
noite, shows em boates da Terra da Garoa, que eram freqüentadas pela alta
sociedade paulistana, com convivência ativa na vida noturna desta cidade.
Com sucesso, “Caco
Velho”, começa a freqüentar as vias aéreas, quando neste mesmo ano de mil
novecentos e quarenta, desloca-se até Porto Alegre, onde compôs com “Carlos
Gomes”, o samba “Viola Abandonada”, para o festival de musicas carnavalescas de
Porto Alegre, para 1941 que foi classificada em segundo lugar. Ainda no Rio
Grande do Sul, em janeiro, apresenta-se com o conjunto de Piratini, na cidade de
Santa Cruz, no “Cine Teatro Ginástica”, com seus sambas e o velho pandeiro.
“Caco Velho”, faz
uma pequena temporada no conjunto regional “Bohemios do Sul”, era conhecido como
“O Mago do Pandeiro”, tendo como diretor regional o Sr. “Nenê”. Cantavam e
tocavam no “Restaurante Vera Cruz”.
Na Orquestra de
“Marino”, “Caco Velho”, tocou pandeiro em apresentação no “Clube do Comércio”.
Retornou à São Paulo para cumprir compromisso com as associadas, e com “Carlos
Gomes”, segue para a capital federal “Rio de Janeiro”.
Visitando com
“Carlos Gomes”, uma escola de samba popular, na cidade maravilhosa, hospedados
no Hotel Gloria, foram solicitados pela “Galera” ali presente, a tocar o seu
pandeiro.
“Caco Velho”, tocou
o instrumento, alegrando todos ali presentes, notando que uma pessoa foi para o
seu lado a abraça-lo e falando coisas em inglês. Era “Walt Disney”, que estava
entusiasmado. Conversaram pouco, tiraram duas fotos juntos, “Disney”, sempre
observando aquele instrumento na criação do personagem “Zé Carioca”, tudo leva a
crer que “Walt Disney”, não se esqueceu do encontro com o sambista....
Retorna para São
Paulo, com o amigo (compositor) “Carlos Gomes”, apresentado-se, normalmente nas
associadas e boates pelas noites afora.
Dezembro de 1941,
“Caco Velho”, segue para Porto Alegre, para o concurso de músicas carnavalesca,
para o ano seguinte com o samba “Eu ando à Procura”(Caco Velho) e o samba “Que
coisa Louca”(Lucena-Caco Velho); após a apuração e para surpresa dos
compositores, os sambas classificaram em primeiro e terceiro lugares
consecutivamente . Ainda bem antes do carnaval, ocorre o ensaio da marcha
“Cigarra Dourada”(Prunes - Caco Velho), autores perpétuos.
“Caco Velho”, ainda
faz algumas apresentações com o conjunto Regional “Bohenios do Sul” e no
“Baltimore”, apresenta uma nova composição “Linda Israelita”(Caco Velho); Em uma
visita ao jornal à folha, com seus instrumentos e nas salas de redação os
“Bohemios do Sul” com “Caco Velho” ao Pandeiro cantaram “Chorinho no.
2” (Nenê) e “Cachorro infernal”(Caco Velho – Carlos Gomes); monopolizaram a
atenção do pessoal do jornal. Na PRF-9, rádio difusora de Porto Alegre, “Caco
Velho” ficou conhecido por “O Malabarista do Pandeiro”.
“Caco Velho”,
retorna novamente para a “Terra da Garoa”, dando continuidade de seus
compromissos com a radio Tupi de São Paulo, Fazia parte do elenco, mantém
contatos com amigos e artistas, fazendo pequenas aparições em algumas boates do
centro de São Paulo.
Pouco adiante da
metade do rigoroso inverno da capital paulista, agosto de 1942, novo regresso à
Porto Alegre, vai visitar a família e desempenhar as suas funções em algumas
casas de shows.
“Caco Velho” com o
pandeiro, cantava acompanhado com o baterista “Américo” em um destes “Mighs
Clubs”, de Porto Alegre quando a casa foi invadida e arrasada totalmente,
provavelmente pelos adeptos ao “Eixo”, pois a proprietária era tida como
simpatizante à causa da “Nova Ordem”, que também não foi poupada. (ver II
Guerra).
“Caco Velho”, viu o
seu pandeiro “VOAR”, pelos ares e espatifar-se nos paralelepípedos da rua. A
principio ele quis protestar, mas achou melhor ficar calado, com medo que a
turma pensasse que ele fosse “Ariano”. “Américo” ficou sem a bateria. Outros
músicos em casas vizinhas, também perderam seus instrumentos. Surgiu até uma
esperança que o público porto alegrense colaborassem para o ressarcimento dos
instrumentos, daqueles músicos que estavam apenas trabalhando.
Em novembro e por
alguns dias, “Caco Velho”, junto com “Paulo Marra”, fazem alguns shows na cidade
de Passo Fundo, no “Imperial” confeccionaram em parceria com os repórteres e
fãs, a música “Cidade Jardim”, homenageando aquele paraíso de flores. Após as
apresentações, voltam para São Paulo. “Paulo Marra”, fora convocado à servir a
Pátria (Marinha); era carioca, tinha um programa na Rádio Record – SP (foi
descobridor de “Vassourinha”) “Caco Velho”, para o Elenco da Rádio Tupi, na rua
Sete de Abril, era conhecido nas associadas como “O Homem da Cuíca na Garganta”.
Mil novecentos e quarenta e três, ano da sorte, “Caco Velho” se firmou no Rádio.
Gravou seu primeiro disco pela gravadora Odeon, que recebe o número 12497, com
os sambas “Briga de Gato”(Lupiscinio Rodrigues – Felisberto Martins) e “Maria
Caiu do Céu” (Caco Velho – Nilo Silva – com Conjunto de Claudionor Cruz).
“Caco Velho” passa a
ser artista exclusivo da Rádio Tupi e é conhecido por “O Turuna da Favela”.
Nirza Gomes, uma
normalista da cidade, freqüentava os estúdios das associadas, nas horas livres e
trocava olhares com o sambista; às vezes ela levava a irmã e outras o irmão a
acompanhava para ver ensaios e shows dos artistas.
Identificado pela
Revista da Globo, por “ O homem que tem uma cuíca atravessada na garganta”,
“Caco Velho” foi divulgador de vários artistas. Entrou na relação dos melhores
cantores e compositores do ano de mil novecentos e quarenta e cinco.
Após namoro de
vários meses, passa a viver com a normalista, indo morar na Rua do Carmo, no
Centro da cidade de São Paulo.
O Circo “Piolim”,
também foi o palco de muitos shows de “Caco Velho” em finais de semana, com
platéia lotada e muitas crianças e adultos, no lado de fora, aguardam a próxima
sessão.
Convidado para
participar de um show, num clube na cidade de Santos – São Paulo, já estando na
baixada, não encontrava o endereço indicado. O motorista do táxi, que
transportava o sambista no litoral paulista, estava com a mesma dificuldade;
finalmente desembocam em uma rua que era a já solicitada pelo artista. Havia
naquela rua uma multidão de pessoas, que bloqueavam o transito local “Caco
velho”, solicita ao motorista, que o automóvel seja desviado daquele tumulto. O
choufeur, informa ao doutor que todas aquelas pessoas, aguardavam à presença do
sambista, “Caco Velho”. Ao deixar o veiculo, e logo reconhecido, pelos
presentes, foi agarrado pela multidão, vindo a desarrumar e amassar o terno,
desfazendo-lhe o penteado, desaparecendo o lenço. “Caco”, não contava com tanta
euforia do povo praiano.
Do pai do produtor
”Regis Cardoso”, que é filho de “Nora Fontes”(atriz), “Caco Velho”, recebe a
alcunha de “Sambista Infernal”. É atração do programa “Roleta Colgate”, na Radio
Tupi Paulista, ao lado de Arrelia, Xisto Guzi e demais artistas consagrados.
“Alfredo Nagib”,
forma grande elenco de artistas para apresentação da “Brigada da
Alegria”,caravana com destino a apresentar shows e mostrar artistas para o povo
do interior do Estado de São Paulo, nos finais de semana, em Rádios, Boates,
Clubes, Associações, Teatros, Praças e outros logradouros. Entre os artistas,
Brinquinho e Brioso, Rago, Armida Falcão, Caco Velho, Luizir Blota, Chica
Pelenca, Hebe Camargo, Bob Nelson e muitos outros artistas consagrados. Às
cidades de Jaboticabal, Bebedouro, Barretos, Botucatu, Ribeirão Preto, São João
da Boa Vista, São Carlos e varias mais, durante muito tempo.
No dia da
“Independência do Brasil”, de 1946, Nasce a primeira filha do sambista, com Dona
Nirza, “Elisa”, seu nome; na maternidade São Paulo, da rua Frei Caneca, e
permanece morando , na Rua do Carmo, no Centro.
“Caco Velho”, era
artista das associadas e de grande audiência dos ouvintes; com a família, deixa
a cidade de São Paulo, indo morar em “Santos”(cidade praiana de São Paulo),
passa a atuar na “Radio Clube de Santos”, ainda comparecendo em algumas boates
da cidade, mostrando seus shows, em apresentações noturnas.
“Foi um dos
artistas”, convidado a participar da festa de inauguração da nova fabrica de
refrigerante “Coca Cola”, naquela cidade, desempenhado seus espetáculos,
cantando musicas.
Morou pouco tempo na
baixada santista, retorna para São Paulo e vai residir, na casa da produtora de
Rádio Lupe Ferreira, no bairro do Cambuci, na cidade de São Paulo, depois
muda-se para o Parque Peruche, posteriormente bairro Bela Vista; em seguida
Santo Amaro e finalmente adquire uma casa de dois andares (sobrado), em
Pinheiros, (todos os bairros anteriores escrito, também pertence à cidade de São
Paulo), na rua Miguel Isasa, (hoje extinta, virando prolongamento da Avenida
Faria Lima, do projeto que o sr. “Paulo Maluf” tirou da gaveta).
“Caco Velho”, no
novo e definitivo lar, agora senta para ler jornais, revistas e a Bíblia Sagrada
em seu capítulos e versículos, acima de tudo, era também religioso; ouvia a
maioria dos cantores de Jazz, daquela década; constantemente sua casa era
freqüentada por grandes artistas, “Vinicius de Moraes, José de Vasconcelos,
Kalil Filho”, os artistas das associadas e personalidades da sociedade; era
sistemático, mas tinha estilo próprio.
O “Sambista
Infernal”, transfere-se de emissora, indo atuar no elenco da Rádio Record, da
Rua Quintino Bocaiúva, esquina com a Rua Direita, em 1948, trabalhando
simultaneamente na Boate “Oásis”, interpretando sambas, apalpando no
contra-baixo e outros instrumentos. Em fins de semana, participava em alguns
circos teatro, nos bairros de São Paulo, com a presença de “Mazzaropi” e
artistas diversos.
Admirava, “Assis
Chatobrian”, “Ângela Maria”, “Pedrinho Matar”, “Robledo”, “Mario Lago”, “Ataufo
Alves”, “Braguinha”, entre outros.
Da Rádio Record de
São Paulo, “Caco Velho”, segue até a capital do País, para uma pequena temporada
na Cidade Maravilhosa, pôr seus sambas em ação, nas Rádio Nacional e Guanabara,
Hotéis, nas Boates “Vogue”, “Esplanada” e alguns clubes.
Deixa o “Rio de
Janeiro”, voltando para a capital paulista. “Caco Velho” ingressa no conjunto “Robledo”,
no “Robledo’s Bar”, tocando contra-baixo e cantando no conjunto, exibe sua
bossa nas boates “L’Amiral” e “American Bar”. Compõe com “Robledo” a música
“Ângela”, que é faixa do L.P. “Robledo’s Bar”, homenageando a esposa do amigo,
“Caco Velho” atua em todas as faixas da gravação, deste L.P. do famoso Pianista.
O rei do Baião “Luiz
Gonzaga”, (o Lua), da mesma forma, cantou no “Robledo’s Bar”, cooperando com a
presença de fluxo de clientes.
Já passado o fiasco,
(Nefasto), jogo com o “Uruguai” na final em Maracanã, (éramos os melhores, mas
eles fizeram os gols); “Caco Velho”, retorna para a associada Rádio Tupi de São
Paulo. Em um show experimental no Hospital das Clinicas, em São Paulo, ocorre a
inauguração por “Assis Chateaubriand” da televisão no Brasil, PRF-3 TV, TV Tupi
canal 4, vindo a ser canal 3. artistas presentes, Hebe Camargo, Mazzaropi, Caco
Velho, Robledo, Badú (humorista), Arrelia e tantos outros; É presenteado, sendo
o primeiro sambista à cantar em um canal de televisão no Brasil.
Para o carnaval de
1951, “Caco Velho”, com orquestra, grava em disco o samba “Curto Reinado”, agora
faz parte do elenco da Rádio e TV Tupi.
O “Malabarista do
Samba”, realiza shows, nos estados brasileiro, deixando os moradores fascinados,
na PRB Rádio de Curitiba, Cassino AHÚ (aú), no estado do Paraná; PRÉ-9 Ceará
Rádio Clube de Fortaleza; Parque S 8, em Manaus, Amazonas e outros Estados.
No Rio de Janeiro,
que era a Capital do País, o “Sambista Infernal”, torna a cantar na Rádio
Nacional, Rádio Guanabara, Boates “Béguin”, “Ranchinho” em Copacabana, no Hotel
Gloria e também no “Casablanca” com Dolores Duran e o notável “Bola Sete”.
Em “Coisas e Graças
da Bahia”, também no mesmo estabelecimento, cantavam “Dorival Caimi”, “Ângela
Maria” e outros grandes artistas já consagrados; Quando em uma dessas
apresentações, recebem a visita da família de “Getulio Vargas”.
A companhia
Atlântica, no Rio de Janeiro, em fins do ano de mil novecentos e cinqüenta e
dois, inicia a gravação do filme “Carnaval na Atlântida”, de (José Carlos
Burle). Seleciona um ótimo elenco para esta produção cinematográfica com
artistas de grande “tarimba”; “Grande Otelo”; “Eliana Macedo”; “Blackout”; (Com
a marcha “Dona Cegonha”), “Maria Antonieta”, (La Pons), “Caco Velho”, “Dick
Farney”, “Oscarito”, “Cole”, “José Lewgoy”, “Cyll Farney”, (que ao lado de
Eliana Macedo, atuaram em mais sete filmagens).
“Caco Velho”, na
produção , toma parte de uma pequena aparição tocando contra-baixo, enquanto
Cyll Farney, bateria, e em outra cena, o “Sambista” batendo pandeiro, junto à
“Maria Antonieta”, em um número de dança que é ... um número, a musica cantada
nesta cena, é com “Dick Farney”, “Alguém como Tu”, (José Maria de Abreu – Jair
Amorim), o filme “Carnaval na Atlântida”, exemplifica que “na Grécia era assim”,
tornando assim, o prato de resistência desse mirabolante carnavalesco. Um
sucesso do cinema nacional.
Pela gravadora
continental, já havia gravado anos anteriores, vários sambas desta relação que
segue, “Mania da Rita”, “Samba Russo”, “Chinesinha, Deu Cupim, Não Faça Hora,
Desenho Animado, Meu Fraco é Mulher, É Doloroso, Novo Cartaz, Até Onde Vai o
Tubarão, O Azar de Jacó, A Sanfona do Gaudêncio, Chico Pança, Alegria de Pobre”,
sucessos musicais nas Rádios de todo Brasil. Ainda neste contexto, a Sra
Geraldina, mãe de “Matheus”, vinda de Porto Alegre, em navio, desembarcando no
Porto de Santos, em São Paulo, visita a família do filho, permanecendo no lar do
sambista, por quarenta e cinco dias, no sobrado recém adquirido, no bairro de
Pinheiros.
Maio de mil
novecentos e cinqüenta e três, após o retorno à capital paulista e presença nas
associadas e na televisão, é atração como diretor artístico e cantor na boate
“ARPEGE” da avenida São Luis. Nasceu a segunda filha do “Sambista Infernal”,
batizada “Izabel”.
Em setembro, “Paulo
Machado de Carvalho”, o mesmo que inaugurou e fundou a Rádio Sociedade Record,
em 1931, inicia o funcionamento da TV RECORD de São Paulo.
Em fins deste ano
“Caco Velho’, recebe de Alberto Cavalcante, o convite para participar das
gravações do filme “Mulher de Verdade”, sua personagem “Mormaço”, onde ao lado
de “Bamba”, (Cole), se metem em um romance fazendo trapaças e malandragens,
tentando ajudar um ao outro. É uma comédia de situações complicadíssimas; também
fazem parte do roteiro deste filme, gravado nos estúdios do Jaçanã; “Inesita
Barroso” (como “Amélia”),”Adoniram Barbosa” (“Bigode”); “Valdo Wanderley”
(“Lauro”); e outros grandes artistas consagradas pelo público.
Como não poderíamos
deixar de registrar neste texto, no ano passado, a musica popular brasileira,
perde em um trágico acidente automobilístico, na rodovia Presidente Dutra, o
cantor “Francisco Alves”, conhecido por “Chico Viola”, “Chico Alves”, “O Rei da
Voz” fazendo parar o país, deixando um povo em prantos, neste funesto mil
novecentos e cinqüenta e dois, em Pindamonhangaba (São Paulo), gravou mais de
quinhentos discos em setenta e oito rotações por minuto.
Pelas festa do IV
Centenário de São Paulo, “Caco Velho” é parte do elenco da companhia de revista
de “Cole”; em São Paulo, os shows eram apresentados no Theatro de Alumínio, na
região do Anhangabaú, cento da cidade. É atração na boate “Club de Paris”, e
artista da “Radio Nacional” simultaneamente.
No inverno deste
ano, um show com “Robledo”, no Ginásio do Estádio Municipal do Pacaembu, com
lotação completa.
Pela Columbia “Caco
Velho”, grava os sambas “Uma Só Vez” (Caco Velho) e “Estourou a Bomba” (Cyro
Monteiro- Dias da Cruz).
Quatorze de outubro
de mil novecentos e cinqüenta e quatro, “Caco Velho”, oficializa o casamento em
cartório com Nirza Gomes Nunes, e na Igreja de Santa Madalena, na Vila Madalena,
pelo Padre Olavo, o matrimonio religioso, “Robledo” foi um dos padrinhos.
Para o próximo
entrudo, o “Sambista Infernal” é convidado a participar do filme “Carnaval em Lá
Maior” (de Ademar Gonzaga)com muitos artistas e também pelo elenco da Record;
tomou parte nesta filmagem cinematográfica, cantando uma musica completa de
carnaval.
Artista da Radio e
Tv Tupi, “Caco Velho, canta suas melodias, na orquestra de “George Henri”,
exímio tocador de Piston, o qual, convoca o “Sambista” para uma excursão
internacional “Caco Velho”, pede licença à emissora para viajar e é atendido
prontamente; despede-se da família e amigos.
Com “George Henry”,
parte para a França em um vôo internacional, de uma grande empresa aérea,
chegando à Paris, a cidade iluminada. Fica eufórico com a beleza do lugar. É
contratado pela Boite “Là Macumba” para mostrar seus shows e músicas (sambas), e
“George Henry” passa a ser diretor artístico, “Caco Velho” visita a Torre
Eiffel, Arco do Triunfo, Rio Sena, Museus, Teatros, Praças, Estátuas, Revistas,
Imprensas, e etc.; Numa entrevista à um jornal local o “Sambista”, informa ao
jornalista que nesta cidade, passou de “Caco Velho”, para “Mon Petit Caco”. Foi
solicitado a participar do filme “Quai des Illusion” interpretando um baião
“Chico Sanfona” (J.Nubel) e uma toada “Ai Sinhá” (Caco Velho), explanada com a
voz de “Marita Luizi” e em cena, dançando por “Anne Marie Mersen”, com o
“Sambista”, deixando o “Artista” empolgado.
A gravadora DUCRETET
THOMSON, com estúdio naquela cidade, requere o visitante para gravações. “Mon
Petit Caco” aceita o convite e grava um disco (compacto duplo) com as músicas
“Falsa Baiana”, “Nega Mentirosa”, “Prenda Minha” e “Uma só vez” (Caco Velho e
seu Orchestra), cantadas por “Marita Luizi” e virou sucesso da gravadora, que
convoca o “Sambista”, para lançar um Long-Play, com musicas variadas, para o
futuro lançamento.
Na “Cidade Luz”, as
gravações são mais rápidas e surge após longos ensaios, um LP, com nome “Une
Soirée a La Macumba” numa homenagem também à casa de shows, que é o recanto do
desenvolvimento artístico e musical do “Sambista”, apresentando doze sucessos
que se seguem, “Chico Sanfona”, “Pourquoi”,
“Sereno”, “Voala”, “Mademoiselle Denise” (todos Baião) e “Ai Sinhá”, “Prenda
Minha”, “Saudade de Itapoá” (Toadas), além de “Vida Dura”, “Risque”, “Balaio
Grande” (Sambas), com “Uma Só Vez” (Samba Canção), interpretados por “Caco
Velho” e sua Orquestra e junto com “Maritta Luizi”, observando que a música
“Pourquoi” foi gravada em letras francesas e na linguagem portuguesa.
Alguns artistas famosos de “Hollywood”, entre eles “Fred Astaire”,
“Mel Ferrer”, marcavam presença na boate “ La Macumba”; solicitavam que “Caco
Velho”, bisasse às musicas.
“Matheus Nunes”, trocava cartas escritas com a família, enviava
alguns valores monetários, via bancaria, para sustento das gurias. Foi numa
destas traçadas linhas, que ficou cabisbaixo,choroso e muito triste; soube a
perda de sua mãe querida, carta esta enviada pela sua esposa que soube através
de outros do fim da vida de Dona “Geraldinha”, na cidade de “Porto Alegre”. O
regresso para o Brasil, neste momento, não faria sentido, pois a data de chegada
do aviso e os acontecimentos, já estavam um pouco distantes. “Caco Velho”, sofre
o acontecimento por alguns dias, responde as informações, ergue a cabeça e tem
que continuar. Os fatos mexeram com o sentimento do “Sambista”.
Das cantoras internacionais em relação à musica de “Caco Velho”,
recebem destaque a portuguesa, “Maria da Conceição”, que gravou “Mãe Preta”,
todavia outra lusitana faz de “Mãe preta”(Caco Velho - Piratini), uma adaptação
autorizada com o nome de “Barco Negro”(Piratini -Caco Velho), era a imortal
cantora “Amália Rodrigues”, saudando a canção, no tema do filme “Amantes do
Tejo”, interpretada por esta “Embaixatriz do Canto”.
“Paula Ribas”, cantora do continente Luso, também gravou “Barco
Negro”, e vários outros artistas de diversos países, fazem uso desta canção, que
é conhecida em todos os continentes.
“Caco Velho”, em Paris, tinha vários amigos, entre eles, “Amália
Rodrigues”, José Lewgoy, Silki (o Faquir) e outros artistas. Freqüentador
assíduo da “Champs Elysées”, nas calçadas, cafés, sendo fotografado por
repórteres e também por conhecidos.
Uma certa noite de Paris, após “Amália Rodrigues” interpretar “Barco
Negro”, onde “Caco Velho” estava presente, duvidaram da autoria, da composição
daquela canção. A “Rainha do Fado”, convida o “Sambista” a ir até o palco,
apresentando pessoalmente o autor da canção, para a grande platéia presente
naquele momento do show.
A partilha dos lucros da boate “La Macumba” era muito mal
distribuída, aos músicos pelo diretor artístico “George Henry”, amiúde faltava
digito, que deixava o elenco da casa desgostosos. Este fato acabou chegando ao
conhecimento da proprietária do estabelecimento que já vinha desconfiando dos
acontecimentos. Pessoalmente ela dispensa o diretor artístico e estabelece “Caco
Velho” neste cargo, para alegria dos funcionários, assim tudo melhorou.
Saudade, era o que apertava o peito do “Sambista”, todavia, no
segundo semestre de mil novecentos e cinqüenta e seis, retorna para o Brasil,
vindo para São Paulo, juntar-se à família. Dá uma rápida corrida até Porto
Alegre, visitando alguns familiares, regressando em seguida para capital
paulista.
Reata contato com a Rádio e TV Tupi, que o recebe de braços abertos.
Na vida noturna vem a ser diretor artístico na “Boate Delval” (de propriedade do
sr. Nicola e sr. Salomão) que aumentou o movimento, com a chegada do “Sambista
Infernal”.
Os donos do “Delval Bar”, levava grupos estrangeiros radicados em
São Paulo, (húngaros, Poloneses, iuguslavos, gregos, romenos, outros), para
conhecerem o grande cantor popular brasileiro, “Caco Velho”. Em uma dessas casas
noturnas paulistana, certa vez, “Caco Velho”, notou enquanto cantava, alguém na
platéia, fazendo mímicas, imitando-o; nada mais era que o humorista mexicano, “Cantiflas”,
admirando seu ritimo, na forma de tocar, cantar e dançar.
Pelas comemorações da IV-Bienal de São Paulo, o “Sambista Infernal”
é convidado com seu conjunto e outros artistas para cidade de Leme, e na fazenda
Empyre, dos Matarazzos, fazem shows para “Juscelino Kubitschek de Oliveira”,
“Ulisses Guimarães”, “Jorge Lacerda”, o embaixador Hardin (da França), festa
esta oferecida por Yolanda Penteado Matarazzo e Francisco Matarazzo Sobrinho,
além de diversos políticos outros.
“Jânio da Silva Quadros”, notável político, foi grande freqüentador
das noites paulistana; tinha amizade com “Caco Velho”; um dos secretários de
“Jânio”, participou de um jantar na residência do “Sambista”, oferecido por Dona
Nirza. Outro político que aparecia nas casas noturnas onde trabalhava “Caco
Velho” era “Carvalho Pinto”.
Num compacto duplo de quarenta e cinco rotações por minuto, “Caco
Velho” lança o disco “A Voz do Sangue”, pela gravadora Copacabana, sambas de
“Túlio Piva”, com às músicas, “Tem Que Ter Mulata”, “Raça”, “Choufeur de
Lotação”, e a outra do próprio nome do disco.
Gestante, a irmã de Dona Nirza, (Neusa), hospedada na residência do
“Sambista”, entra em trabalho de parto. Como não havia recurso rápido próximo,
foi o próprio “Caco Velho” parteiro de sua sobrinha, que passou a ser afilhada,
recebendo a homenagem, pela mãe, o mesmo nome da primeira filha “Elisa”, de
“Matheus Nunes”; na chegada da equipe médica, tiveram pouco trabalho para com a
mãe e a recém, era dia dezessete de julho de mil novecentos e cinqüenta e sete.
L.P., “Vida Noturna no. 1, gravadora Copacabana, “Caco
Velho” com seu conjunto, “Herve Cordovil” ao piano; com doze musicas divididas
nas faixas, dez sambas, uma valsa e um fox, que só foi lançado no inicio do ano
seguinte, devido a demora na confecção de discos na ocasião. Foi muito
comemorado por seus amigos, artistas, no “Delval Bar”, onde ainda era o diretor
artístico e nas emissoras do país.
A família aumenta, com a chegada da terceira filha de “Matheus
Nunes”, em abril de mil novecentos e cinqüenta e oito, era dia sete; recebe o
nome de Elizabeth.
Da radialista “Lupe Ferreira”, do “Colégio do Disco”, “Caco
Velho”recebe o troféu Honra ao Mérito, da rádio América, primeiro lugar em
concurso carnavalesco em 1958.
Ao termino de uma entrevista, com o repórter (jornalista) de um
jornal de grande circulação, já estavam no lado externo da boate “Delval”,
quando o jornalista “Paulo Patarra” anotava o nome do estabelecimento, “Caco
Velho”, fez-lhe um pedido: “faz um favor, coloque aí, boate familiar, se não são
capazes de confundir com inferninho”.
Do caricaturista mix, do jornal “A Gazeta Esportiva” do dia
11-novembro de 1958, o “LP Vida Noturna”, é o destaque da caricatura do dia, com
o “Sambista Infernal”, de caixa de fósforo e pandeiro nas mãos.
Neste mesmo ano, o Brasil, foi campeão mundial de futebol,
apresentando na Suécia, jogadores como “Garrincha”, “Pele”, “Vava”, de demais
talentos, comandados por “Paulo Machado de Carvalho”, (Chefe da delegação que
conquistou o campeonato), recebendo o título de “Marechal da Vitória”.
Caco Velho, era sistemático, influenciado na musica por “Noel Rosa”
(1910 – 1937), ensaiava muito na boate, na rádio Tupi com orquestra, em casa com
os músicos, chamando-os a atenção, notando erro na execução dos instrumentos,
suas apresentações, com total lotação de público, vestia-se impecavelmente,
terno engomado, gravata, cabelo alisado, perfume, sapato engraxado e brilhando,
era um “Preto Alinhado” reconhecido nas classes média alta e por todos os
artistas da ocasião, políticos, era artista do povo. Não teve frustrações,
desenvolvia tudo que planejava, sentia-se útil, no que fazia, agradando a todos.
Ocorreu em abril de 1959, em fundo musical, durante a apresentação
do jornalismo, “Repórter Esso”, que em casa, a filha “Elisa”, ouve às notas
musicais da canção “Mãe Preta” (Caco Velho – Piratini), e questiona o pai do
fato, que também com maior atenção, passa a ouvir, aumentando o volume do
aparelho televisivo, através do dial de amplificar. Imediatamente, “Caco”, segue
à caminho para o Estúdio da Emissora e descobre que uma pessoa com nome “Vilma”,
colocara o próprio nome na autoria da composição, que já recebia outro nome “Fim
de Tarde em Lisboa”, gravada na Inglaterra, pela RCA-Victor, orquestrada por
George Melachrino, “Caco Velho”, conclui que a gravação, até que ficou boa, mas
ninguém tinha o direito de auferir a qualidade do autor, indo em seguida aos
órgãos competentes; o fato foi citado em toda imprensa escrita e falada.
Nessa conjuntura, devido ao estendimento das redes de televisão, os
artistas, eram convidados à participar dos programas de rádio e televisão ,
poucos tinham contratos, todavia, as casas noturnas “Ferviam”, com maior
apresentações de artistas e atrações variadas.
Nasce em São Paulo, em oito de março de mil, novecentos e sessenta,
a quarta filha de “Matheus Nunes”, será “Alice”, que conquista do pai, uma
composição musical, com seu nome.
Com parceira concomitante de “Haroldo Maranhão”; “Caco Velho” compõe
o samba “Slack”; contudo não lhe faltam convites das emissoras, tanto para
programações diurnas, quanto, algumas vezes noturnas. Uma grande alegria, foi
ser convidado para participar, com musicas, do aniversário da filha do atual
presidente da República, “Jânio da Silva Quadros”, satisfazendo à pequena “Tutu
Quadros”.
No “Delval Bar”, da rua General Jardim, em São Paulo, “Caçulinha”,
tocava harmônica no conjunto de “Caco Velho”, e as vezes “Sivuca”, acordeon
(Teclado), por pequenos períodos.
O “Sambista Infernal”, em sociedade com “Edy” compra o “Brazilians
Bar”, da rua Peixoto Gomide, faz questão de proferir “Casa Familiar”, recebendo
artistas e amigos em sua própria boate. É a principal atração neste “Lar
Noturno” e conta com a participação de convidados, entre eles “Cyro Monteiro”,
e outros artistas, dando oportunidade, (canja), ao microfone.
Em espaços livres do cotidiano, “Caco Velho”, ficava em casa com a
família, acompanhando as filhas para o colégio, em melhores ocasiões, carregava
as meninas para viagens, restaurantes, parques, circo, cinema, praias, ensaios
nas emissoras.
Recebe convite para no “Grande Hotel de Águas de São Pedro”, na
cidade de mesmo nome, no estado de São Paulo, apresentando show musical, por
quatro finais de semana, levando a família em uma destas apresentações.
Do jornal, o estado de São Paulo, recebe o troféu “SACY”, como
“Melhor Atração Nacional Permanente” da coluna “Mary-Go-Round” de “Mary Wynne”,
da página carrossel – SP, ainda no ano de mil novecentos e sessenta e um, “Caco
Velho” ganha uma Placa do programa “Sua Majestade o Cartaz”, apresentado por
“Blota Junior”, no canal 7, de televisão , homenagem de “Bom Bril”.
Conquistando liberdade e autonomia da gravadora Continental, “Caco
Velho”, grava o Long Play “O Comendador da Bossa Nova”, com doze sambas de alta
qualidade, com músicas de próprias composições com parcerias de talentos de
primeira linhagem, formando a qualidade de pessoas, arranjos, incluídas em um só
disco. Houve cópias autorizadas pela continental, por outra gravadora do mesmo
grupo.
“Germano Mathias”, sambista , fã, incondicional dos trejeitos de
“Caco Velho”, e já famoso no mundo do samba, aparece como atração permanente no
“Brasilian’s Bar”, após a venda dessa casa de shows pelo “Sambista Infernal”.
“Germano Mathias”, um dos grandes seguidores das gingas de “Caco Velho”, por
muito tempo , ainda jovem, acompanhava o andamento da carreira do “Sambista”,
transitava inclusive nos ensaios em emissoras mantendo contacto no desenrolar do
“artista”, freqüentador assíduo da residência de “Caco Velho”, quando na
introdução de “Germano” no samba, ele tinha o seu próprio estilo, porém,
constantemente procurava, coisas novas, para somar na tentativa de uma melhor
qualidade em suas apresentações e conseguiu.
“Caco Velho”, vendo o crescimento das filhas, pretende encaminhar,
para participar de suas apresentações. “Elisa”, por ser muito tímida, descarta a
proposta do pai, contudo ele consegue convencer “Isabel”, um pouco mais jovem.
“Caco Velho” canta no programa “Almoço com as Estrelas”, do canal quatro, e a
menina mostra o seu bailado, com sete anos de idade. “Bibi Ferreira”, que tinha
um programa na Teve Excelsior, viu o show de pai e filha, solicitando “Caco
Velho”, para comparecer ao canal nove, todavia, somente ir com a filha. Ela não
seguiu esta carreira.
Em uma minúcia de “Elisa”; no surgimento do vídeo-tape das
apresentações dos artistas na televisão, com o pai ao seu lado, sentados na
sala, dentro de casa, não conseguia entender a presença dele, no aparelho e a
seu lado, simultaneamente olhava para ele e para a televisão, por várias vezes.
Nunca souberam deste fato da garota.
Nas músicas “mesmo de mentira” (Carlos Imperial), “Dor de Cotovelo”
(João Roberto Kelly), “Pororó-Popó” (João Roberto Kelly), interpretadas na voz
da gauchinha “Pimentinha” “Elis Regina”, percebe-se o cacoete de voz na jovem,
quase idênticos ao do sambista “Caco Velho” até os arranjos são perfeitos.
“Caco Velho”, por estes tempos, atrai clientes, para a boate e
restaurante Húngaro “Dona Marta”, permanece recebendo convites para
participações em emissoras de radio e televisão, na cidade de São Paulo.
Para o evento esportivo, das Américas, “Jogos Pan-Americanos”
sediado, para o ano de mil novecentos e sessenta e três, a cidade de São Paulo,
“Caco Velho”, apresenta, cantado por ele, composição de “Durval José Gonçalves”,
“Rogério Lucas”, “Nilza Gomes”, o disco com o samba-“Pan-Americano”, gravado
pela indústria de discos continental de numero 16649.
No programa “Chá das Bonecas”, apresentado por “Lolita Rodrigues”,
“Caco Velho”, comparece junto com sua família. Nas noites ainda aparece, com
seus sambas na boate “Belisco”.
“Marry Wynne”, em sua coluna no jornal O Estado
de São Paulo, permanece informando à seus leitores, os movimentos de seus “Sacyzinhos”,
nas rondas pela cidade de São Paulo.
Da escola de engenharia Mackenzie, é premiado
com um troféu, homenagem do C.A.R.L., em comemoração do segundo evento cultural
recreativo deste estabelecimento.
“Caco Velho”, em seu curriculum musical,
outrossim, nas telas da Tevê Cultura, apresenta o programa “Roda de Samba”,
divulgando novos e enormes talentos, para a música brasileira, que aliás, era um
de seus sonhos.
A música perde neste ano, o compositor popular
brasileiro “Ari Evangelista Barroso”, (Ubá-MG 1903-1964 RJ), que com o nome de
uma de suas tantas composições; deu nome artístico para “Caco Velho”. “Ari
Barroso”’ apresentava o programa “Hora do Calouro”’ e é o celebre compositor de
“Aquarela do Brasil”, música esta “Cartão Postal”, de nosso País, em todos os
continentes.
Com o violinista “Filhinho”, acordeonista
“Joãozinho” Baterista “Goiano” e às Cabrochas “Dirce” e “Olga”, (seu conjunto e
suas cabrochas), embarca para outra experiência, internacional, era o final de
mil, novecentos e sessenta e quatro. Quer divulgar o nosso samba, descobrir
outras culturas de diferentes linguagens, tentando aumentar um pouco mais sua
literatura, aproximando para o povo de sua terra, puras novidades das terras do
“Tio Sam”.
Para este deslocamento aos Estados Unidos da
América , é contratado pelo empresário de “Benny Goodman”, para uma temporada no
cassino “Taly Hool”, na região de Las Vegas (EUA). Obtiveram êxito, colocando em
ação, aquela “massa” que por várias exibições, compareciam, querendo aprender
aquele requebrado diferente. Apresentou-se com seu conjunto, em teatros, praças,
naquele estado norte americano. Ao final do contrato com aquele cassino e com os
passaportes do conjunto, esgotando o prazo de validade, o grupo foi solicitado
pelas autoridades locais, à conseguirem logo um outro trabalho, ou deveriam
deixar aquela cidade.
Olga, uma das cabrochas do conjunto e também
ótima cabeleireira, permaneceu naquele país, casando-se com um americano; os
demais integrantes do conjunto de “Caco Velho”, retornaram para o Brasil, exceto
o sambista, que com o passaporte ainda valido seguiu para “São Francisco”, na
Califórnia, vindo a ser contratado na Boite “Interlúdio”, onde atuou com grandes
músicos, fez apresentações em clubes, shopping centers, aniversários e teatros.
Em novembro de 1965, São Francisco, (EUA), faz
show no hotel Cecíl, da rua post; “Carnival in Rio”, “danças ao som da musica de
‘Caco Velho’ do Brasil”, Patrocinado por Varig Air Lines e The São Francisco
Interline club.
No primeiro trimestre de 1966, num balé
esquisito, “Caco Velho”, ruma para Portugal, sem retornar ao seu País de origem,
“Lisboa” é a cidade; em uma casa de atrações, “Royal” faz o show de carnaval,
conquistando os portugueses. Recebeu convite para atuar na Televisão, e é
contratado na Boate “El Cid”, em Lisboa.
Em “Coimbra”, apresenta shows no “Festival no
Parque”.
Cidade do “Porto”, organizou campeonato de Jazz,
para juventude.
“Caco Velho”, é atração no teatro “Maria
Vitória” na grande e conceituada revista popular “E Viva o Velho”!..., atuando
por longo tempo, ao lado de grandes artistas populares como: “Maria Dulce”,
“Costinha”, “Paula Ribas”, “Camilo”, “Luisa Durão “, o grande fadista, “Tristão
da Silva”, tantos outros artistas. O sambista era tratado como o “REI” do
“Music-Hall”, brasileiro, o “Inimitável”, “Caco Velho”; revista apresentada em
várias sessões por “Eduardo Damas”
Para matar a saudade, “Caco Velho”, escrevia
cartas para a família, enviava verbas via bancarias, queria saber das filhas,
preocupava-se muito com a família. A esposa respondia às escritas, dando um
balanço da situação, quanto a escola e comportamento das meninas e também
situação financeira.
Ainda em Lisboa, canta e toca seus instrumentos
nas casas noturnas. E pela “Parlophone”, sob licença da “EMI”, grava um compacto
duplo (Disco), com as composições, “Solteirona”, “Ladrãozinho”, “Escute
Compadre” e “Falso Fadista”, sendo que “Ladrãozinho” composta por “Caco Velho”,
e cantada também no “Hotel Rex”.
Em “Covilhã”, uma cidade portuguesa, no
continente, o “Sambista” mostra seu show na “Feira de São Tiago e popular do
Sporting”, (o Leão), juntamente com artistas consagrados: “Antonio Mourão”,
“Maria José Valério”, “Maria Helena”, vários outros. Numa grande festa de
abertura da feira, de enorme movimento popular, vindo até de outras cidades e
países vizinhos.
Conhecendo e apresentando-se em boa parte das
cidades do continente, “Caco Velho”, vai atuar em “Funchal”, grande cidade da
Ilha da Madeira. Torna-se atração nos cassinos “Lar Madeirense”, “Cassino da
Madeira”, entre outros entretenimentos, daquela conhecidíssima Ilha Portuguesa,
um verdadeiro Paraíso.
No “Cassino da Madeira”, tocava seus
instrumentos e com a voz, mostrava suas músicas, cantando ao som do pianista
“Angel Peiro” e juntamente com o conjunto de “Amaral Junior”, inclusive nas
Noites de São Silvestre, Natal e Virada de Ano. Ainda neste mesmo cassino, numa
entrevista para o programa “Hora do Chá”, foi divulgado que “Caco Velho”, era
conhecido como “O Apaixonado da Madeira”
“Na Ilha”, o “Sambista”, faz um curso de
massagista, passando inclusive a exercer a nova profissão.
Atuou por algum tempo no “Cassino de Funchal”,
onde acolheu novas e grandes amizades, artísticas e populares. “Caco Velho”,
tratava à todos na ilha da Madeira como “compadre”.
“Noite do Manjerico”, foi uma atração do show de
“Caco Velho”, no “Cassino da Madeira” participou inclusive da programação da
“Quermesse Salesiana”.
Numa entrevista para a reportagem do “Jornal da
Madeira”, “Caco Velho”, Ganha vasto espaço na coluna “Bate Papo”, quando conta
uma parte de sua história, e é destacado como um “Artista Versátil”.
Descendo até o continente, (Lisboa), faz
apresentações no Éden Teatro “Carnaval Pac”.
Já em São Paulo, o compositor “Haroldo Maranhão”
amigo de “Caco Velho”, era quem enviava notícias do artista para a imprensa,
recebidas pela esposa do Sambista, (Nirza G. Nunes), para a coluna do jornal
OESP, de “Winne” (“Mary”), informando que “Caco Velho”, agora esta no “Cassino
de Funchal”, na Ilha da Madeira, como “Mr.Samba; informando assim, os leitores,
fãs, demais artistas e a própria colunista que carinhosamente o mantia em seu
espaço e chamava-o de “Prodigalson”, relembrando ainda a turma dos “Sacizinhos”.
Dentro de sua permanência na ilha “Caco Velho”,
compôs em parceria com Amaral Junior a canção “Bravo”; em homenagem pela vitória
na III-Regata Lisboa-Madeira, dos velejadores “Os Cinco do Bravo” em uma grande
festa no “Cassino da Madeira”.
Show com “Caco Velho”, no Cassino da Madeira,
“Noite Luso-Brasileira”, show internacional com o “Fantasista Brasileiro”; na
Pérola do Atlântico, “Caco Velho”, ajudou a revelar vários artista.
Vindo em outra escapada até Lisboa, visita uma
grande amiga, “Maysa Figueira Monjardim Matarazzo”, ao qual “Caco Velho”, foi o
seu primeiro conselheiro artístico e juntamente com a mesma, concede reportagem
a uma revista de circulação na cidade, “Platéia”, e aproveita para assistir ao
show da velha amiga na Boite “Galeria 48”.
Mil novecentos e sessenta e nove, “Caco Velho”,
sente dores e é internado em um hospital da Ilha da Madeira, com problemas
estomacais, vindo a ser operado, permanecendo por algum tempo no leito, dessa
casa de prática da medicina.
“Os ídolos esquecem-se, com a mesma facilidade
que se criam”; mensagem esta escrita por Armindo Abreu, (jornalista) em sua
coluna de jornal; o mesmo que fez uma grande reportagem, quando da chegada de
“Caco Velho” a esta maravilhosa ilha.
O “Sambista Infernal”, com o passar dos dias
apresentou melhoras, mas foi aconselhado por seu médico a retornar ao Brasil;
seu berço esplendido, para continuar sua dieta e prosseguir o tratamento!...
Deixou todos os seus instrumentos na “Ilha da
Madeira” com a esperança de retornar com a família a “Perola do Atlântico”.
Dezembro de 1969, chegou em São Paulo, após
cinco longos anos no exterior; abre a porta de casa, com sua própria chave e
entra, a filha Elizabeth, que estava sentada no sofá, leva um grande susto, pois
nem se lembrava do pai.
O Teatro Municipal de São Paulo, organiza e
apresenta em 14-12-1969 “Homenagem a Caco Velho”, com orquestras, cançonetistas,
atores, locutores e som; reverenciando o artista brasileiro de variedades.
Ano seguinte, um pouco mais recuperado, volta a
apresentar shows na vida noturna. Boate “La Fontains”(Francesa), na Avenida
Angélica, em São Paulo; algumas passagens pela Boate “Som de Cristal”
“Caco Velho”, participa do Programa “Essa Noite
se Improvisa” de “Blota Junior”; Programa de “Hebe Camargo”; Programa de “Dercy
Gonçalves”; também no “Roda de Samba” da TV Globo do Rio de Janeiro.
Estréia com êxito, na Boate “Saudosa Maloca”,
pertencente aos “Demônios da Garoa”, nesta paulicéia; todavia foi lembrado na
imprensa escrita e na antiga coluna jornalística de “Mary Wynne”, a respeito
desta estréia, pois Mary era muito atenta ao movimento artístico noturno da
cidade, anunciando as novidades.
Na Rádio Tupi “Caco Velho” é homenageado no
programa “Cartaz da Noite”; é homenageado ainda nos seus tempos de TV Tupi, com
o Troféu “Nescafé”; uma grande empresa aérea, ofertou-lhe um diploma, como
reconhecimento, devido ao grande numero de vôos. Foi atração nas apresentações
do programa “Festa na Roça” de Lulu Benencase, sendo a abertura, cantada pelo
“Trio de Ouro”, com a toada, “Carreteiro” (Caco Velho – Piratini).
“Caco Velho”, tinha grande vontade de retornar
para a maravilhosa “Perola do Atlântico”, com toda a família, mas devido a
recusa da esposa e por ocasião do casamento da sua filha “Elisa”; une a família
e vai para o Estado do Espírito Santo, deixando a recém casada em São Paulo. Foi
tentar seguir a profissão de massagista.
Porém logo retorna à capital paulistana, não
dando certo o seu novo projeto de vida.
Entrevistado para a imprensa escrita, pelo
jornalista “Oswaldo Mendes”, do Jornal Última Hora, “Caco Velho”, narra, “As
Queixas do Sambista”, onde compara à Bossa Nova com o IE-IE-IE (Jovem Guarda),
respeitando este ultimo, dando maior ênfase à Bossa Nova e M.P.B., elogiando a
chegada dos cantores baianos, enaltecendo a riqueza nas poesias do poetinha e
seu fiel maestro, no conteúdo das palavras de nossa linguagem, simultaneamente,
comentado, o esquecimento das emissoras, pelos nossos grandes e eternos
sambistas, lembrando de muitos nomes.
Incentivado por Dona Nirza e sua filha mais
velha, o “Sambista”, vai ao programa “Almoço com as Estrelas”, de Airton
Rodrigues na TV Tupi; entra em cena de surpresa, pois não era esperado. De pé,
todos os que estavam a mesa, aplaudiram-o, com grande afeição. Neste programa,
participava ainda, um renomado empresário de artistas, convidando “Caco Velho”,
para shows em Rádio e Televisão; o “Sambista Infernal”, passa a ser mais um
exclusivo do empresário “Marcos Lazaro”.
Participou do programa, “Som Livre Exportação”,
da TV Globo, “Clube dos Artistas”, apresentado por “Airton e Lolita Rodrigues”,
na TV Tupi. Fez ainda apresentação no Teatro da Universidade Católica (TUCA);
Programa Flavio Cavalcante e inclusive diversos clubes da cidade de São Paulo.
“Caco Velho”, regressa para a vida noturna; diretor artístico na “Boate Sem
Nome”, na Rua Dr. Vila Nova, canta sucessos, “O Meu Fraco é Mulher”, “Marcha do
Habib”, “Amélia”, “Coqueiro Verde”, outrossim novos sambas, como “Samba do Beiço
Vermelho” (de Heitor Carrilho), e o “Samba do Nariz”, de própria autoria; por
esse tempo, estava sem gravadora; convidou o seu primeiro genro “Adhemar”, a
participar de seu conjunto nesta mesma boate, por algum tempo.
Deixa a boate acima; sendo que o genro,
permanece na mesma, e o “Sambista” vai apresentar suas musicas no “A Marta”
(Restaurante Húngaro); apresentações também foi feita nas boates, “Quitandinha”,
“My Love”, “Jogral”, “Mondo Cane”, “Belisco” da Rua Caio Prado.
“Caco Velho”, chegou a ser convidado, para uma
apresentação no programa “Silvio Santos”, mas não foi possível.
Alguns amigos de “Caco Velho”, na vida
artística: Lupiscinio Rodrigues, Vilma Bentivenha, Edson Lopes, Adoniram
Barbosa, Denis Brean, Elis Regina, Hebe Camargo, Triana Romero, Lurdinha
Pereira, Germano Mathias, e tantos outros como Kalil Filho, Herve Cordovil,
Luizir Blota, Noite Ilustrada, Airton e Lolita Rodrigues, Haroldo Maranhão, Joel
de Almeida, jornalistas, políticos e tantos.
O “Sambista que tem uma cuíca na garganta”,
fica enfermo e acamado, em sua casa. Recebe tratamento médico, patrocinado pelo
amigo “João Barroso”. Por indicação do médico, o próprio amigo leva “Caco
Velho”, para ser internado no Hospital das Clínicas de São Paulo; Em sua
residência, muito doente, ainda recebeu a visita de “Haroldo Maranhão”, “Kalil
Filho”, “Germano Mathias”, o fiel amigo João Barroso e assistido por “Dona Nirza”,
que fazia a parte de assistente de enfermagem; era julho do ano de 1971.
No leito de numero cento e quarenta, no H.C. de
São Paulo, repousa muito doente “Caco Velho”.
De presente o programa “Xênia e Você”, um
televisor é enviado para o artista, no leito, o “Sambista” agradece e informa
que queria assistir apresentações de sambas e que logo retornaria para ver seu
publico. Recebeu a visita e presença dos familiares, amigos, músicos, imprensa,
artistas de rádio e televisão; relacionando alguns:”Pery Ribeiro”, “Kalil
Filho”, “Germano Mathias”, “Vicente Leporácio”, “Haroldo Maranhão”, “João
Barroso”....
“Caco Velho” é operado (cirurgia) por uma
excelente equipe médica, devido a agravação do problema anterior já previsto no
outro continente; retornou ao leito, permanecendo medicado com acompanhamento de
grandes profissionais de medicina, daquele complexo hospitalar.
A esposa está sempre ao seu lado, a filha Elisa
é vetada da visita, por estar gestante da primeira neta do “Sambista”, as demais
filhas tinham o acesso livre.
O hospital das clinicas, solicitava doadores de
sangue, a imprensa dá o seu recado, fãs, amigos, artistas, o nosso povo atende
prontamente, abastecendo o reservatório do banco de sangue desse reconhecido
complexo hospitalar, até um cidadão carioca, de passagem e hospedado em Sampa o
(*)Sr. “Gaspar Bissolotti Neto”, participa na doação com seu quinhão e registrou
a presença.
A filha grávida, num esforço , consegue com
consentimento de assistentes chegar ao pai e acalenta-lo naquela cama por quase
meia hora, quando foi solicitada a deixar o local, devido ao término do tempo
das visitas.
“Caco Velho”, nasceu “Matheus Nunes” em
19-03-1919, só foi registrado pelos pais em 30-04-1919, no cartório de registro
civil em Porto Alegre.
“Dizem às Velhas das Praias”(conhecidos), que em
algumas viagens do “Sambista” ao velho mundo; ao cruzarem a linha do Equador,
via Oceano, havia grande festa a bordo do navio, onde o “Show Man”, dava o seu
recado e arrecadava algumas cifras, mesmo estando em viagem, alegrando a si
mesmo e os passageiros em turismo ou compromissos.
Lutou muito pela vida, mas em 14-09-1971, às
23:00 horas local, ocorreu a grande baixa no mundo do samba, para desespero da
família e amigos. Tinha apenas 52 anos de idade (Cinqüenta e dois).
O velório ocorreu no cemitério do Araçá, com o
pesar da família, amigos, artistas, jornalistas, “Noite Ilustrada”, “Kalil
filho”, “Joel de Almeida”, “Herve Cordovil”, “Luizir Blota”, “Airton Rodrigues”,
“Conjunto Águias da Meia Noite”, o compositor “João de Barro”, “Silvio Santos”,
“Germano Mathias”, “Flavio Calvacante”, “Haroldo Maranhão”, Fãs, vários outros
artistas da música popular.
“Figueiredo Ferraz”, então Prefeito da Cidade de
São Paulo, doou à família um jazigo no cemitério de Campo Grande, no Bairro de
Santo Amaro, onde ocorreu o sepultamento do “Sambista”. Acompanhou o cortejo
fúnebre, uma grande multidão de pessoas.
Em 20-09-1971 dia da 1a. missa,
nasceu a primeira neta de “Caco Velho”; “Adriana”, que vem a ser batizada pelo
musico “Herve Cordovil”.
A composição “Mãe Preta”, adaptada “Barco Negro”
de (Caco Velho e Piratini) é tocada ainda nos dias de hoje nos seguintes países:
Alemanha, Angola, Austrália, Bélgica, EUA, Egito, Espanha, Índia, Inglaterra,
Japão, Suíça, Suécia, Portugal e vários outros países.
Esta história da carreira musical de “Caco
Velho”, nestas linhas, foram retiradas dos recortes de jornais e revistas que o
próprio “Sambista” e algumas outras pela esposa, juntaram e guardaram pelos anos
afora.
Rua “Caco Velho”, somente conhecida na Cidade de
Guarulhos – SP, no Conjunto Residencial do Bairro Haroldo Veloso, com o CEP –
07.175-320.
Na Europa o “Sambista” também visitou a cidade
de Barcelona, na Espanha, somente a passeio.
“O Sambista de Coração”, fez um grande e ótimo
repertorio musical, com composições próprias, em parceria e muitas outras
somente cantadas por ele. Não deixou valores em moedas, mas sim, uma vasta lista
de composições não causando perdas e danos para a família. Netos e bisnetos e
gerações futuras, se quiserem, poderão usufruir da literatura musical e da
cultura, revelada e somada na categoria deste grande “MESTRE INIMITÁVEL”.
Da família, colaboraram para este pequeno
conteúdo: a Sra “Nirza Gomes Nunes”, “Elisa C.Gomes Nunes de Andrade”, “Isabel
C.Gomes Nunes Ribeiro da Silva”, “Paulo Ribeiro da Silva”, “Elisabete Conceição
Gomes Nunes”, “Wilians Domiciano”, “Adriana Nunes de Sá Domiciano”, outros Sr. “Caio
Ramos”, Sr. “Adhemar de Sá”, Sr. “Marinho” da Vila Mariana, Sr. “Roberto
Gambardella” e demais colaboradores.
“Caco Velho”, foi incluído no movimento dos
artistas pioneiros pela atriz “Vida Alves”
Nunca se soube que fim deu todos os instrumentos
deixados na Ilha da Madeira.
(*) Nos comentários sobre Gaspar Bissolotti
Neto, Leia-se Sr. Pedro; mas a informação foi muito útil.
OBRA – autorizada por “Nirza Gomes Nunes” esposa
de “Matheus Nunes”, e família.
Eu, João Augusto Marques de Andrade, (Genro do
Sambista), juntando e desbravando os recortes guardados, consegui com grande
esforço, esboçar estas linhas.
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